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 A Lenda do Dragão de Prata

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Julius Kraven
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MensagemAssunto: A Lenda do Dragão de Prata   Qui 15 Maio - 9:29

(Afinal, é a coisa celta!)

Fic postada no antigo F³. Foi um desafio que a Yui me fez. Para amantes célticos.

A Lenda do Dragão de Prata

Ventava muito. Parecia que o vento era uma matilha de lobos: dava para ouvir os seus uivos, e suas garras e presas cortavam e chicoteavam qualquer um que se atrevesse a desafiá-lo.

O vento corria livre pela planície que ficava na encosta de uma colina. E assobiava pela janela aberta de uma casa.

A janela aberta deixava entrar um fiapo da luz da lua. O vento chicoteava os cabelos ruivos que emolduravam o rosto que olhava.

-Rhyn... Rhyn...

A garota assustou-se com aquela voz. Pensara que talvez fossem os espíritos, que costumam aparecer nos dias de Samhain -- como este --, que estivessem tentando se comunicar com ela. Ela virou, mas viu apenas o rosto débil de sua sobrinha, os cabelos negros emoldurando os olhos vividamente verdes como os da tia.

-Tia Rhyn... Não to conseguindo dormir....

A garota sorriu. Para sua idade -- faria vinte e dois invernos em poucos dias --, ela já deveria estar casada e com filhos, mas o mais próximo que tinha de uma família era aquela garotinha. A meninha tinha cinco verões e sua tia, e mais nada no mundo.

-Deixe eu te ver direitinho, Rhina. - Ela pegou a menina no colo. Aproveitou e depositou um grande pedaço de pão e e uma jarra de hidromel na mesa, para que os espíritos que viriam de Annwn - o Outro Mundo - naquele Samhain se satisfizessem com a sua casa.

Levou a menina até o quarto, que ainda estava iluminado pela luz da enorme lua que se levantava no horizonte.

-Está usando o amuleto que lhe dei? - A menina assentiu, mostrando o medalhão em forma de folha. Rhyn verificou se o vasilhame na cabeceira estava vazio. E estava, à exceção de algumas folhas que ficavam no fundo. - E está tomando tudo direitinho. - Ela tirou algumas pequenas folhas da bolsa que estava encostada na cama. - Coma isso, agora, tá?

A menina obedeceu.

A ruiva, com um ar jovial, habilmente tateou os pulsos, o pescoço e a cabeça da menina, verificando, entre outras coisas, a cor da pele por baixo dos olhos e a temperatura da menina.

-Você melhorou, Rhina. Não parece que você esteja mal o suficiente pra atrapalhar o sono.

A garota apenas a observou com os grandes olhos verdes. Rhyn sentiu um aperto no peito. Fora com esses mesmos olhos que, há cinco anos atrás... Afastou o pensamento da cabeça.

-Quer que eu conte uma história, Rhina?

A menina assentiu.

-Bom... Essa história aconteceu há muito tempo...

"Há muito tempo atrás, existia uma criatura terrível, chamada Balaam, um ser cruel que era abençoado com os poderes do mal. Mas, como todo tirano, Balaam criou a sua própria destruição.

Ansioso em acabar com qualquer oposição, Balaam acabava com qualquer um que opusesse resistência. Ele também vivia em guerra, querendo dominar todos os povos. Um dia, ele tomou uma fazenda e seus soldados entraram na casa que ficava no topo de uma colina. Não sabiam que na casa, que era sagrada, morava um velho e sábio Druida, e uma jovem pura dedicada à Danu, a Mãe-terra.

Seus soldados entraram e, apesar dos protestos do Druida, roubaram os objetos sagrados, profanaram o local, fizeram do velho um escravo; A garota era tão bela que os soldados não a tocaram, mas a mandaram para o seu senhor Balaam.

O ser, inspirado pela beleza da jovem, disse que se casaria com ela.

No entanto, na noite que se seguiu, a jovem fugiu. Ela foi acolhida por um viajante, que a levou consigo.

Então Danu abriu uma excessão e, furiosa com Balaam, que iria profaná-la, concedeu à jovem, durante uma visão em sonho, a permissão para que se casasse e tivesse filhos.

Assim ocorreu, e a jovem deu à luz a um ser abençoado pelos deuses. Belenus lhe dera o fogo da vida; Morrigan lhe deu a coragem para lutar; Blaudewed lhe deu a vívida beleza extrema; e Brighid deu à ele a capacidade de lutar letalmente, até a morte, como ninguém.

E esse ser foi chamado de Dragão de Prata, esplendoroso em seu brilho divino, mas mortífero em sua fúria justa.

E o Dragão de Prata, após viver uma vida de perseguições, ao ouvir sua história, jurou vingança ao tirano Balaam. Dito e feito."

À essa altura, a garota já dormia. Mas Rhyn sentiu que devia continuar. Ela saiu de casa e subiu na alta colina que havia ali, e continuou contando a sua história para que o Lobo do Vento a conhecesse e a carregasse para os quatro cantos do mundo.

"Ele era extremamente hábil com a espada. Começou matando um guarda que molestava uma criança. Pouco a pouco, as pessoas foram juntando-se à ele, até que não havia pra onde escapar: já com um exército, o Dragão de Prata cercou o palácio de sangue do tirano Balaam.

O cerco durou mil dias e mil noites, contando desde que o exército se movera para o castelo até o derradeiro momento da batalha final. Durante esse tempo, o Dragão de Prata conheceu o Corvo das Tempestades, uma figura curiosa, que passou a andar ao seu lado para onde ia. E o Dragão acabou se apaixonando pelo Corvo, pelas suas palavras sussurradas no ouvido, pela sua beleza misteriosa e seu ar traiçoeiro..."

Ela sentia-se cansada e cada palavra era um sussurro inaudível, engolido pelo vento furioso. Até que seu corpo não suportou e ela caiu, dormindo, lá onde estava.

E teve um sonho.

No sonho, uma luz sem fim disse para que continuasse contando aquela história até o seu final, que deveria ser no início do verão. A luz dizia que, ao final da sua história, o real significado de tudo seria revelado.

Ela obedeceu à visão. E, todos os dias à noite, enquanto todos dormiam, ela enfrentava o vento e a neve, mas recitava, no topo da colina, um pedaço de sua história....

"...E o Dragão teve uma filha com o Corvo. Uma bela menina, com os olhos de um e os cabelos do outro.

No entanto, o Corvo teve de seguir a maldição que ele tinha. E a sua presença parecia comer, aos poucos, a visão do Dragão. Quando, no derradeiro dia da guerra, o Dragão se postava para lutar com Balaam, estava quase cego. E por isso que Balaam golpeou e golpeou, ferindo o Dragão. Mas este não se deu por vencido e, num furor rápido e mortal, desferiu golpes letais que, mesmo defendidos, malhavam aço, cortavam couro, furavam a pele, penetrava nos músculos e quebrava os ossos de Balaam.

E quando o Dragão posicionou-se para aplicar o golpe final, o servo mais fiel de Balaam, Morlaine, aproximou-se do Dragão com uma relíquia de seu senhor, uma lança tão bem-feita que diziam que era do próprio deus Lugh; não foi percebido pois andava furtivamente como um felino, e a visão do Dragão estava embaçada pela maldição do Corvo... Então, Morlaine avançou de súbito e o atravessou...

Cada dia, saía uma nova frase, um novo momento, uma nova descrição. Até que, no primeiro dia de verão à noite, ela subiu para o final de sua história.

... Matando o Dragão. E o Corvo, com remorso por ter feito o que fez, jurou vingança à todo o povo de Morlaine e Balaam. Entregou sua filha aos cuidados de alguém que confiava e partiu para a batalha.

Anos depois, ela retornaria para casa... Após vingar seu grande amor, para fazer vingar o grande amor.

Uma brisa leve movia os longos cabelos ruivos de Rhyn. Ela usava um vestido leve e longo, verde-claro, de costas nuas, que ficava preso apenas por um laço no pescoço Ela tinha uma estranha sensação, como se o fato confundisse a história, como se a teia de sua história tivesse se entrecruzado com o sentido de sua vida.

E foi só quando ouviu o galope, quando divisou a aproximação do cavalo e cavaleiro que notou o que acontecia.

Parou ao seu lado e desceu. Armadura completa, uma gigantesca espada nas costas, o corpo forte, a capa branca esvoaçando. Pela viseira do elmo, divisou os olhos da cor de mel, parencendo um líquido viscoso que se recusava à esparramar.

Os cabelos desciam do elmo, apenas o suficiente para mostrar as suas pontas em alguns centímetros. A figura levantou os braços e tirou o elmo, mostrando os cabelos grudados de suor e o belo rosto, rubro no momento. Revelou a face de uma bela mulher, que qualquer um que não Rhyn estranharia, naquelas vestes.

-Aqui estou, Rhyn.

A ruiva, mais baixa e magra, contemplou a pessoa à sua frente com um olhar que misturava raiva e surpresa.

-Então, você voltou, ser amaldiçoado?

-Cumpri meu juramento.

-Mas não pense que esqueci que foi por tua causa que meu irmão morreu.

A mulher dos olhos cor-de-mel olhou firmemente. - Não pense que foi a única que amou teu irmão. Eu estava ao seu lado... - Por um momento, suas feições pareceram ceder, mas ela manteve a impassividade de seu rosto jovem, que não devia conhecer mais de vinte e cinco verões.

-E por isso ele morreu.

-Não! Foi por isso que ele foi vingado. Foi por isso que lutei contra e matei Balaam, que se recusava a desistir, mesmo ferido. Foi por isso que expulsei Morlaine e sua tropa de degenerados para um desfiladeiro, comandei os poucos que me restavam e o derrotei. Tive a certeza de vê-lo caindo do penhasco, empurrado por mim mesma...

A ruiva olhava duramente para ela.

-...Foi por isso que, mesmo tendo cumprido o juramento, continuei lutando contra os saxões, pois eles contaminavam até mesmo o solo sagrado onde descansava teu irmão.

A ruiva assustou-se. - Os saxões já avançaram até onde meu irmão morreu?

A outra balançou a cabeça. - Avançaram até mais. O Rei-Urso¹ morreu, traído por seu sobrinho Mordred. A bretanha se lançou em caos e a fé perde a força, tudo está sendo tomado por uma religião estranha de um falso deus.

-Tudo isso é culpa sua!

-Não.

-É! Se não tivesse atrapalhado meu irmão, ele teria derrotado à todos! Foi culpa s...

A mulher de cabelos negros sacou uma lança e a atirou. Ela percorreu a escuridão e aterrisou à alguns metros.

-Ali está o que matou o meu marido, a pessoa que eu amava. Foi aquilo, não eu.

-A Lança de Lugh... Foi ela que fez meu irmão, o Dragão de Prata, sangrar, a pessoa que mais amei....

-Onde está minha filha?

Silêncio. A ruiva parecia pensar.

-Onde está minha filha? - Perguntou novamente a mulher de olhos cor-de-mel.

-Você é mesmo o Corvo das Tempestades, não é? Sempre traz más notícias.

-Não seja dram....

A ruiva virou-se. A outra continuou. - .... Ah... Não, não... Mudei desde que me viu pela última vez. Agora eu sou, assim como seu irmão, meu marido, era, um Dragão de Prata.

Ela franziu a testa. - O Dragão de Prata nunca viraria as costas para a batalha.

-Mas viraria as costas para uma guerra sem sentido, nem honra, nem glória, especialmente quando sabe que alguém o espera em casa, para lutar outras batalhas futuras.

A ruiva sorriu. - Então, minha senhora... Você, Adrys, realmente se tornou O Dragão de Prata, com todas as honras... Meu irmão ficaria feliz em saber que o seu título passou para outra pessoa guerreira. - Ela pareceu agora mais compenetrada. - Meu irmão foi a pessoa que mais amei no mundo. Nós duas somos reflexos da mesma pessoa, da pessoa que nós duas amamos mais do que qualquer outra pessoa no mundo.

Um silêncio pesou.

Ela sorriu novamente. -E hoje... Você... Bem... - O sorriso acalorou-se mais ainda. - Sabe que dia é hoje? - Ela sussurrou, um sussurro prazeroso, como de uma criança que conta uma traquinagem.

A mulher que se chamava Adrys se aproximou, curiosa, acenando que não.

-Hoje é o dia de Beltane!

E, como se a palavra fosse um passe de mágica, as fogueiras que celebravam a fertilidade se acenderam aqui e acolá, nas colinas distantes, e o som distante das músicas chegou aos ouvidos delas. A ruiva desamarrou o laço no pescoço.

-Hoje é o dia de comemorarmos a fertilidade. Então, hoje também comemoraremos a sua chegada...

O vento uivou e gemeu mais alto. E, acelerando levemente, levou a história de amor genuíno dos reflexos do Dragão de Prata para os quatro cantos do mundo, sem medo, sem pudor algum.

E o Lobo do Vento se fez testemunha.
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MensagemAssunto: Re: A Lenda do Dragão de Prata   Qua 21 Maio - 19:59

O lobo do vento?

Vc me dá medo as vezes sabia? O.o


Tem mais?

Achei seu mode de escrever no mínimo curiosa...mas bem dinâmico...resumindo eu gostei rsrsrs
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Julius Kraven
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MensagemAssunto: Re: A Lenda do Dragão de Prata   Qua 21 Maio - 23:32

Nem tem continuação.
É oneshot mesmo.

Meu jeito é curioso? xDD
E por que ter medo do lobo do vento? XDDDD
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MensagemAssunto: Re: A Lenda do Dragão de Prata   Qui 22 Maio - 12:24

Eu não tenho medo do Lobo do vento...tenho de vc mesmo xDDDD
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MensagemAssunto: Re: A Lenda do Dragão de Prata   Qui 22 Maio - 14:13

Tenha mesmo ò.o
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MensagemAssunto: Re: A Lenda do Dragão de Prata   Sex 23 Maio - 15:14

Bobão...te sento a porrada heim garoto ¬¬
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MensagemAssunto: Re: A Lenda do Dragão de Prata   Seg 26 Maio - 21:01

Colé?
Vai encarar?
¬¬
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MensagemAssunto: Re: A Lenda do Dragão de Prata   

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