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 Fic: Primeiro amor conjunto.

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Efigeny
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Idade : 31
Localização : Betinópolis - Recinto do Cthulhu
Data de inscrição : 30/03/2008

MensagemAssunto: Fic: Primeiro amor conjunto.   Qua 25 Jun - 15:42

Nham, short-fic como sempre.
Não, eu não passei por isso, nem desejo isso pra ninguém...

===xxx===

Saída da Escola, terça de manhã. Era seu aniversário. Era um dia par e todos os dias pares levavam ao seu sonho maior de ser notada na porta da sala.
Não foi. Bem diferente do que pensava, ignorada, invisível, quase uma intrusa.
Tudo bem, sempre tem a 2ª vez. Talvez não estivesse tentando direito, talvez era só fazer algo para ser percebida.
Hora do intervalo, muitas pessoas como ela andando pelos cantos do pátio, meninas como ela correndo e achando que eram notadas pelos seus respectivos alvos de paquera, a maioria conseguia o que queria, menos ela...
Cruzou os braços porque viu um casalzinho se beijar. Conseguiram e ela não. Estava ficando pra trás.
Ficou emburrada, não queria ser a última de tudo. Queria saber por que raios alguém que ela dava tanta importância não dava a mínima. Melhor seria investigar, sondar pistas e achar uma explicação logo, senão ficaria louca, ou provavelmente passaria o dia chorando como chorava.
Notou a turminha engraçada que sempre a surpreendia, vozes altas, risos altos, o riso mais alto era de quem admirava em segredo - logo não seria tanto assim, já que naquela manhã decidiu dar o 1° passo - ajeitou o uniforme e viu se seus cabelos estavam atrás do rabo de cavalo, queria estar apresentável, estar admirável, mesmo se metade de suas convicções como pessoa não contavam beleza como algo relevante na vida das pessoas. Levantou os ombros e foi em passos resolutos, o corredor parecia muito longo e o andar não era tão acertado assim, tomava cuidado para não escorregar ou dar alguma gafe, andou mais um pouco e passou pelo grupinho de alunos tão animados.
A maioria cumprimentou.
Menos quem queria.
Odiou a si mesma e se escondeu no banheiro até o final do horário.
Banheiro Masculino, porque seus melhores amigos estavam ali também.
Bateu a porta do box costumeiro e viu que o melhor amigo estava ali, igualmente emburrado e choroso.
- Nada?
- Nanão... - respondeu ela com pesar. Não gostava de vê-lo sofrendo pelo mesmo motivo, claro que ele não sabia que era pelo mesmo motivo!
- Nunca vou conseguir, droga...
- Calma, paciência oras... Não vai ser assim do nada sabe? - dando tapinhas amigáveis nas costas dele, ele estava sentado no vaso sanitário com uma cara preocupada. Ela encostada na porta cutucando a unha e tentando arranjar palavras. Algum dia deveria dizer, mas não naquele momento. Sabia que ele entenderia o que se passava e se tivesse sorte, talvez conseguisse ter um confidente além das paredes do seu quarto e seu travesseiro. Era amiga de anos dele, de muitos e incontáveis anos, de terem praticamente descobrido tudo sobre a vida juntos e compartilhavam de cada sentimento como irmãos-gêmeos e bem, a condição se tornara mais estranha quando descobriu que se apaixonou pela mesma pessoa que ele. Suspirou e foi de desespero, não sabia mais o que fazer. Só sabia que não desistiria.
- Você acha que ela percebe em mim? Quer dizer, tipo... Será que ela pelo menos sabe que eu existo?
- Claro, claro! - respondeu ela seriamente e ele acatou a mentira, pois era a pessoa que mais confiava no mundo. Sorriu tolamente pro chão e ela sabia que isso era um sinal de esperança, no coração dele e no dela.
- Seria bem legal se eu a levasse pra passear né?
- Sim,sim... Tenho certeza que ela iria adorar... - ela respondeu remoendo a própria fantasia de passear com a menina já tão disputada.
- Você acha que ela acharia estranho se levasse ela no Museu Medieval?
- Bem, pelo que soube... Ela gosta de Dom Quixote... Falou na aula de Literatura...
- Falou...? Oh droga, por que eu não prestei atenção...?
- Calma, é só você parar de sentar lá na frente e ficar grudado na professora! - e os dois riram porque era a verdade. Sairam de mãos dadas do banheiro e quem visse diria que eram namorados, mas não eram, só compartilhavam da mesma dor da ignorância.

Os dias se passaram e ela preferiu calar a voz em sua cabeça que sempre a alertava para manter-se bem perto da garota do seu melhor amigo. O calar foi tão intenso que ela mal soube como reagir direito. A emergência de se distrair com alguma coisa que ocupasse sua mente, o afastamento de seu melhor amigo, o aborrecimento e o isolamento.
Todo recreio era ali perto do portão de saída, olhando a rua, os carros passarem e uma expressão de puro tédio no rosto. Era assim que deveria ser, se ignorasse aquele sentimento tão bem, logo iria conseguir se convencer que tudo na vida passava, inclusive o seu 1° amor. Lambeu os dedos sujos de doce que comprou para merendar e limpou a blusa branca das migalhas, suspirou pesadamente e reencostou a cabeça no banco de pedra que ficava ali. A inspetora do colégio passou perto e lançou um olhar acusador.
- Tou descansando Dona Lílian... - disse ainda entediada, a inspetora acenou um okay e continuou sua ronda. Olhou para a rua novamente e viu como o mundo era estranhamente pacato e sem grandes pretensões. Queria ter isso na sua vida pelo menos uma vez. Sonhava demais, esperava demais, se esforçava demais, se estressava à toa. Se tudo fosse como seus colegas conseguiam viver... Suspirou novamente e fechou os olhos.
A 1ª imagem na sua cabeça fora um belo beijo dado de sua garota proibida.

Na Educação Física, o amigo humilhado. Não era muito esportivo e nem impressionava com seu jeitão nerd. Mas percebeu-se a diferença, porque ela parecia perceber mais nele, no jeito tímido e na conversa cabeça dele. Subitamente sentiu ciúmes, e seu estômago ficou enojado de ver os dois conversando alguma coisa na quadra.

Duas semanas de namoro.
Ficou sabendo por último.
Sempre a última a saber. E por uma boa razão, ele havia ido viajar com ela para a praia. Uma semana inteirinha só com ela, uma boa razão. Ele transparecia a felicidade em pessoa, voltou a ligar para dar notícias, perguntava como ela andava em Matemática e ela sempre respondia que bem, mas era desculpa esfarrapada, todos sabiam o quanto ela estava encrencada com o professor de matemática. O quanto fora rude com a inspetora em um recreio e como se enfurecia por motivos pequenos, como não tinha mais paciência com a irmã menor e como buscava a solidão no Parque de Diversões ali perto do centro da cidadezinha em que moravam.
Mas não souberam o quanto ela chorava enquanto girava o brinquedo da xícara maluca, o quanto girava e girava até se sentir horrível por dentro e por fora e sair cambaleando e sôfrega até chegar atrás de uma barraquinha e vomitar a sua raiva. Ninguém soube como ela escrevia poesias atrás dos box de cada banheiro do colégio e como os estudos estavam agora em último lugar. O travesseiro testemunhou muitas maldições, muitos apelos e muitas desculpas, as paredes estavam cansadas de receberem socos de punho fechado, de receber sangue e saliva e lágrimas.
Ninguém desconfiava.

Duas semanas e 3 dias de namoro, ela contava os dias e as horas e cada gesto carinhoso dos dois no recreio. Contava quantas vezes ela sorria para ele e via o incrível brilho de um casal apaixonada como tantos outros na sua sala. Passou a prender o cabelo com força atrás da nuca, vestir roupas escuras e não dar chances de ninguém se aproximar, nem para perguntar as horas.
Duas semanas e 5 dias de namoro, ela preferiu morrer do que ter que dividir a sala com os pombinhos, então matava as aulas de Geografia todas as quartas, se propusera sentar no banquinho de pedra todos os dias e ler Mitologia Grega e Romana, escutar o seu walkman com músicas gravadas sobre forte efeito de revolta. No lado A era só berros angustiados e guitarras distorcidas, no lado B era a banda favorita do irmão mais velho. Letras bonitas falando sobre como um ser humano pode ser tão miserável. Entretida em livros e música, não mais sonhos ou devaneios.

Castigo por ser pega escrevendo versos de Pablo Neruda nas paredes do box do banheiro feminino, por proclamar a sua completa aversão ao sistema escolar ao professor de Sociologia, de dizer que não acreditava em Deus para a professora de Religião. Mais castigos em casa, esses nem gostaria de citar, dolorosos demais para se comentar. Feriam o corpo e o ego, marcavam a alma e esmagavam seu orgulho.

1 mês e 9 dias de namoro.
Ele insistia em ligar dizendo que estava preocupada com ela. Ele insistia em dizer que queria falar com ela sobre a outra pessoa e insistia em afirmar que a outra pessoa se preocupava com ela também.
Besteira. Ninguém se preocupava.

Atividade cultural na escola. Muita gente e pouco tempo para pensar. Responder perguntas de professores fingidos e mal-pagos. Sumir no meio da palestra contra as drogas do policial do bairro e se refugiar na lanchonete do outro lado da rua do colégio.
Coração dilacerado ao ver que a outra pessoa estava ali na sua frente, beijando outra garota que mal conhecia. Traindo o amigo, traindo ela. Os olhos presos na cena, as mãos estáticas nos bolsos que antes procuravam moedas para comprar o doce que tanto gostava. A 1ª aproximação depois de meses tentando ser notada.
- Você é amiga do meu namorado né? - e a voz era completamente diferente do que imaginava. Chegava a ser obscena de tão perfeita que era. Ela olhou para os lados, tentando fingir-se de desentendida. - Olha, vamos deixar isso como nosso segredinho...? - e concordou porque não sabia reagir a nada além de aceitar o que vira.
- Tudo bem... Mas isso é errado...! - o breve toque entre a mão da namorada do amigo e seu braço a fez estremecer.
- Errado? - sorriu ela para o chão, logo seus olhos escuros encontraram os seus. - Eu sei como é...
- Como é o quê? - disse desesperada por não ter aquela mão sempre junto a sua.
- Oras... - e o sorrisinho cínico fez o seu coração pular na garganta. - Que você gosta dele, mas prefere ficar quieta pra não magoar ninguém... - aquela revelação a fizera se arrepender do dia em que colocara os olhos naquela garota. Estava entendendo tudo errado!
- E-eu não gostaria de uma pessoa que trai o namorado...
- Mas se eu fosse você, correria para falar com ele, né? - mostrando a lingua.
- Claro que sim! E-ele é meu amigo! Meu melhor amigo! - disse escandalizada.
- Que melhor amigo é esse que deixa você sozinha no recreio? Que troca anos de amizade?- tombando a cabeça para irritar mais a nossa amiga aqui.
- Você não entende! Ele passava o recreio todos esses anos comigo só falando de vc!
- Vc é bem corajosa... Conseguiu disfarçar direitinho... - arrumando a gola da camisa da escola.
- Eu não preciso disfarçar...!
- Oh sim! Não precisa! - e chegando bem perto do rosto dela. - E posso saber o porquê de não precisar disfarçar? Todo mundo vê o quanto vc gosta dele!
- Mas ninguém vê o quanto eu te amo...! - e a garota namorada do melhor amigo de nossa amiga ficou boquiaberta e sem palavras. - Satisfeita agora? - perguntou com tom sarcástico, havia perdido a inocência em algum lugar há quase 2 meses atrás. - Não se preocupe, não vou falar pra ele... Ele não acreditaria mesmo... - dando de ombros. - E não quero me intrometer na vida de vocês...
- Você disse que me a-a-ama...? - a última palavra foi tão sofrida ao sair que ela se arrependeu de ter falado na 1ª conversa real que tiveram desde que se conheceram na escola.
- É, disse... e qual vai ser a diferença? - a pergunta foi tão fria que a outra garota recuperou parte de seu auto-controle.
- Nenhuma, eu acho... - respondeu na mesma frieza.
- Que bom... - e deu as costas à ela e saiu andando pela rua movimentada calmamente.
Nenhuma lágrima cedeu, nenhum soluço deixou sua garganta e nenhum pensamento se atreveu fazê-la se arrepender de sua declaração. Sentou no banco de pedra do ponto de ônibus e esperou pacientemente o seu vir. Viu o casalzinho passar por ela e não a cumprimentarem.
Suspirou entediada e acostumou com a idéia de ter mais duas pessoas que deveria ignorar na sua vida a partir daquele momento. Ligou o walkman e voltou a cantar junto com o vocalista da banda favorita de seu irmão.

===xxx===
Ps: A banda era The Smiths tá? Homenagem a Wli-Wli.
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J-Hime
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MensagemAssunto: Re: Fic: Primeiro amor conjunto.   Dom 7 Set - 1:28

Adorei.... mto bom... tb nao desejaria isso a ngm O.o''
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Trevinha
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MensagemAssunto: Re: Fic: Primeiro amor conjunto.   Qua 17 Set - 17:09

Caraca mano..realmente ninguém merece isso..foi cruel demais...e tipo...pisou nos sentimentos..e pqp...é horrivel i.i
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Pixel Girl
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MensagemAssunto: Re: Fic: Primeiro amor conjunto.   Ter 15 Jun - 19:04

vey,ela teve uma corajem que eu nunk tive,a admiro por isso
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Kyuu-Chan
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MensagemAssunto: Re: Fic: Primeiro amor conjunto.   Ter 26 Jul - 23:18

Há algum tempo eu não chorava tanto.
Já aconteceu algo parecido comigo, mas não foi tão forte.

Muito lindo.
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MensagemAssunto: Re: Fic: Primeiro amor conjunto.   

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Fic: Primeiro amor conjunto.
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