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 De Vez Em Quanto (One-shot original)

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A. Lefay
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Número de Mensagens : 347
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Data de inscrição : 23/01/2008

MensagemAssunto: De Vez Em Quanto (One-shot original)   Seg 11 Ago - 21:12

De vez em quando


O sol nascia em um horizonte montanhoso naquela pequena cidade do interior, a paisagem daquele lugar era tão maravilhosa que os poetas da região eram conhecidos em todo o país por serem os autores das mais belas poesias. Era uma terra de sonhos.

Naquela manhã, em específico, não havia ninguém observando o nascer do sol, o que era muito incomum.

As poucas pessoas naquela cidade que estavam acordadas naquele horário não observavam aquela cena magnífica que poderia render em lindas obras-primas. Afinal, já estavam acostumadas. Uma dessas pessoas era Marli.

Marli era uma garota comum de dezesseis anos de idade. Pelo menos em parte. Era considerada pela maior parte dos jovens da região uma coisa tão maravilhosa e espetacular quanto o nascer do sol naquela manhã de primavera. Não era uma pessoa alta nem baixa, magra nem gorda. Nesses aspectos era mediana, como a maioria das garotas da região. A pele da garota era muito clara, o que também era uma característica muito comum naquela região montanhosa e fria.

O que mais fazia de Marli a garota mais bonita daquele lugar eram seus olhos, que possuíam um tom incomum: eram de um cinza-azulado tão claro que quase se podia dizer que eram brancos. Os cabelos praticamente negros da adolescente, que os deixava, geralmente, soltos caindo sobre seus ombros, apenas ajudavam a realçar a beleza dos olhos dela.

Muitos poderiam dizer que Marli provavelmente era uma pessoa convencida e metida por ter tantos homens – e até algumas mulheres – aos seus pés, mas qualquer um que a conhecesse remotamente saberia que ela não era assim. Na verdade, as pessoas que chegam a conhecê-la, viam que ela não sentia nenhuma atração por seus pretendentes e, por isso, sempre recusava todos os pedidos, dos mais sinceros e românticos aos mais indecentes.

“The past is so familiar
But that's why you couldn't stay
Too many ghosts, too many haunted dreams
Beside you were built to find your own way.”

(O passado é tão familiar
Mas é por isso que eu não posso ficar
Tantos fantasmas, tantos sonhos assombrados
Ao seu lado foram construídos para você encontrar seu próprio caminho)


O quarto de Marli, aposento onde a garota se encontrava no início daquela maravilhosa manhã de primavera, era o lugar preferido da garota. Ele era pequeno, mas aconchegante. As paredes eram limpas e brancas, sem qualquer pôster ou adesivo colado nelas.

Havia poucos móveis naquele cômodo, a cama de Marli, onde a garota estava deitada – sobre as cobertas – naquele momento, era de solteiro, feito com a madeira da região. As cobertas eram tão azuis quanto o céu naquela manhã. O relógio-cuco preso na parede fora um presente de sua avó, ele não funcionava mais, mas a garota gostava de deixá-lo enfeitando seu quarto. O armário era pequeno e largo, do jeito como se fazia antigamente. Era um armário de madeira, também da região, que possuía apenas gavetas. Havia também, ao lado da cama de Marli, uma mesa de estudos onde ela costumava passar horas desenhando ou pintando. Era uma grande artista.

Naquela manhã, Marli se sentia cansada da vida e em seu coração reinava um enorme sentimento de solidão. Os olhos tão claros da menina assumiam um tom azulado devido às lágrimas que ela continha, não deixando escorrer pela sua face corada. Ela olhava para o teto branco do quarto, mas, na verdade, não era aquilo que ela realmente enxergava.

Os suspiros da garota eram constantes e, às vezes, o som que saía de sua boca ao suspirar parecia formar uma palavra. Era uma palavra importante para Marli, um nome. Um nome que remetia a uma pessoa muito especial para aquela linda menina de dezesseis anos.

“Sofia…”

"But after all these years, I thought we'd still hold on
But when I reach for you and search your eyes
I see you've already gone...
That's OK
I'll be fine
I've got myself, I'll heal in time
But when you leave just remember what we had..."

(Mas depois de todos esses anos, eu pensei que nós continuaríamos a persistir
Mas quando eu te alcanço e procuro seus olhos
Eu vejo que você já se foi...
Está tudo OK
Eu vou estar bem
Eu tenho a mim mesma, vou me curar com o tempo
Mas quando você me deixar apenas se lembre do que nós tivemos...)


Era esse o nome que Marli repetia inconscientemente, apenas por hábito. Para a garota, era mais do que apenas um nome, era o nome da pessoa que a fizera rejeitar todos os pedidos de seus pretendentes.

Sem se levantar, Marli olhou para um porta-retrato na sua mesa de estudos. Nele havia uma foto onde sorriam duas garotas. Uma delas era Marli com seus olhos brilhando de felicidade. A outra era uma garota mais alta que abraçava Marli pela cintura.

“Sofia…”

Sofia era uma garota alta e muito magra. Não era tão bonita quanto Marli, mas também tinha sua cota de pretendentes, que, em sua maioria, eram mulheres. Os olhos da garota eram verde-escuros. Como eram olhos muito expressivos e a cor de sua pele, clara, e seus cabelos louros, levemente avermelhados artificialmente, os destacavam, a garota nunca conseguira mentir e, por isso, aprendera a ser uma pessoa muito sincera.

Marli lembrou-se do dia em que a foto fora tirada. Por ironia do destino, fora em uma manhã de primavera como aquela. Ainda se lembrava de como estava decidida a se declarar para aquela garota por quem nutria uma amizade de longa data, do medo que tinha de se declarar e ser rejeitada.

- Sofie, - dissera uma Marli corada e gaguejante para uma Sofia séria, na primeira das cinco voltas que deram na roda-gigante naquele dia, - eu te amo.

Lembrava-se da reação de Sofia, fora inesquecível. A garota corara tanto que parecia um tomate, o que era algo inédito, Marli nunca vira a amiga sequer sem jeito. Sofia ficara algum tempo olhando para a janela, mas, após alguns minutos olhara para Marli séria e disse as palavras que Marli soube que jamais ia esquecer:

- Eu também te amo, Li…

Marli sorriu tristemente ao se lembrar do que viera a seguir, do beijo apaixonado que trocaram jurando que os laços que as uniam nunca se romperiam e que elas estariam juntas para sempre.

Naquele momento, Marli sentiu um ódio profundo por Sofia, não era justo que fizesse aquelas promessas e, depois, as quebrasse. Então, lembrou-se dos olhos de Sofia quando encontraram os seus há alguns dias atrás e pôde perceber um misto de preocupação e compaixão.

- Li, precisamos conversar, - falara Sofia segurando as duas mãos de Marli entre as suas.

- Sobre o que? – Marli respondera na defensiva.

- Li, estamos juntas há quase quatro anos, - dissera Sofia. Marli vira que ela não sabia direito como continuar. Ela parara por algum tempo antes de continuar, - acho que não sinto mais o que eu sentia há quatro anos atrás.

- Não, - falara Marli recuando, - você não pode estar falando sério!

Então ela fugira. Marli soubera, mesmo naquela hora, que estava apenas adiando o inevitável, mas, no dia seguinte, Sofia aparecera na casa de Marli segurando uma rosa vermelha. Marli lembrou-se do quanto estava relutante em ir falar com Sofia, mas no final aceitara ir encontrar sua amada, não podia fugir para sempre.

Sofia, porém, apenas entregou a rosa vermelha a Marli pedindo desculpas pela sua atitude no dia anterior. Elas se beijaram e fizeram amor como se fosse a última vez. Depois deitaram juntas, nuas, na cama de Marli e ficaram trocando caricias e palavras bonitas.

Parecera a Marli que tudo voltava ao normal até o momento em que a garota resolvera erguer os olhos e encarar os de Sofia. Então viu que a garota apenas tentava manter aquele relacionamento por ela e que, na verdade, ela já tinha ido embora há muito tempo, aquele sentimento que Sofia sentira antes por ela passara. Marli, então baixou os olhos, fechando-os, e abraçou sua amada com força, não querendo ver a realidade: Sofia se fora para sempre, não podia segurá-la mais.

Sofia passou a noite com Marli, que não conseguia dormir pensando nos olhos da garota aos seu lado. A primeira coisa em que pensara foi em manter o relacionamento como vingança pela dor que Sofia causava a ela naquele momento, mas soubera que não era aquilo o que desejava. Queria que Sofia fosse feliz, acima de tudo, e se, para isso, precisava deixá-la, Marli o faria. E, com esse pensamento, a garota adormecera.

"There's more to life than just you
I may cry but I'll make it through
And I know that the sun will shine again
Though I may think of you now and then...
Can't do a thing with ashes
But throw them to the wind...
Though this heart may be in pieces now
You know I'll build it up again and
I'll come back stronger than I ever did before
Just don't turn around when you walk out that door..."

(Há mais coisas na vida do que apenas você
Eu posso chorar, mas vou fazer isso terminar
E eu sei que o sol vai brilha de novo
Embora eu possa pensar que você de vez em quando...
Eu não posso fazer nada com as cinzas
Além de lançá-las no vento
Embora este coração possa estar em pedaços agora
Você sabe que eu poderei fortalecê-lo novamente e
E vou voltar mais forte do que eu jamais estive antes
Apenas não volte quando você passar por esta porta...)


No dia seguinte, acordara com Sofia observando-a, não ousara erguer os olhos e encará-la, apenas se sentara espreguiçando-se toda.

- Sofie, não precisa ficar comigo se não quiser, - falara Marli deixando as lágrimas escorrerem por seu rosto.

- Você está bem, Li? – Perguntara Sofia limpando as lágrimas de Marli.

- Não, meu coração foi feito em pedaços. Como poderia estar?

Ouvira, então, um soluço e, quando ergueu os olhos para encarar Sofia, viu que a garota chorava também.

Ao se lembrar do rosto de sua amada ao ouvir suas palavras, Marli sentiu as lágrimas acariciando seu rosto. Os suspiros se transformaram em pequenos soluços.

- Mas tudo bem, você pode ir, meu amor, - falara Marli tentando sorrir, - sei que vou me curar com o tempo se você me prometer que nunca mais voltará para mim.

Sofia olhara espantada para a namorada. Marli pensara se sua amada ficara espantada com a maturidade como lidara com a situação, continuara a sorrir e deixar as lágrimas escorrerem por seu rosto.

- Li…

- Mesmo que tenha chegado o fim, continuarei a pensar em você, - falara Marli abraçando a namorada com força, - só te peço para que nunca se esqueça do que vivemos.

Sofia pensara em abraçar Marli com força para tentar reconfortá-la, mas recordando-se das palavras da morena, ela apenas deu de ombros e se levantou.

- Os laços que nos unem são mais fortes que tudo isso, Li, - dissera Sofia ainda chorando, - quero ser sua amiga de novo.

- Se você voltar, ele nunca vai se curar, - dissera Marli colocando a mão no seu peito, - por favor, vá e não volte. Sua decisão, assim como a minha, já foi tomada. Talvez quando tudo isso passar possamos nos ver de novo, mas, por enquanto, enquanto eu te ver as feridas continuarão abertas.

Sofia abrira um sorriso mais largo que formara um enorme paradoxo com as lágrimas que caíam em maior quantidade do que antes. Ela assentira com um gesto com a cabeça e saíra do quarto, deixando Marli sozinha chorando.

E aquela linda manhã de primavera era o dia que se seguiu após aquela conversa. Marli pensou com ironia o quanto todos ficariam felizes ao saber que ela terminara seu namoro com Sofia e achou que, por trás da beleza daquele lugar, havia a podridão que habitava todos os lugares onde havia seres humanos.

Deitada em sua cama, a garota viu o quanto amara sua amiga de infância e se pegou pensando se um dia superaria aquilo, se um dia seu coração se curaria, se o que dissera a Sofia não fora apenas uma forma de aliviar a dor da amiga.

“Não,” pensou Marli sorrindo para o teto do seu quarto, “meu coração está despedaçado, foi feito em pedaços, mas um dia ele se curará, só preciso dar um tempo à ele.”

Ela se levantou e ficou sentada na cama, recostada na parede aonde a cama estava encostada. Olhou tudo a sua volta e reparou na enorme quantidade de coisas naquele quarto que a lembravam Sofia. A princípio, pensou em jogá-las no lixo, mas depois achou que não valeria a pena, afinal eram lembranças maravilhosas.

“Há mais coisas na vida do que apenas Sofia,” pensou Marli limpando as lágrimas que teimavam em cair, “ainda a amo, mas sei que isso não é eterno. Sim, um dia passará e terei outra pessoa que me ama ao meu lado. Ou não. Afinal, há muito mais coisas na vida do que apenas o amor. Amizade, arte, estudo…”

Então, depois de passar o último dia e a última noite inteiros na cama sem forças para se levantar, ela resolveu fazê-lo e foi até seu banheiro onde tomou um banho quente.

"That's OK
I'll be fine
I've got myself, I'll heal in time
And even though our stories at the end
I still may think of you now and then..."

(Está tudo OK
Eu vou estar bem
Eu tenho a mim mesma, vou me curar com o tempo
E apesar de que nossas histórias chegaram ao fim
Eu ainda posso pensar em você de vez em quando...)


Lembrou-se então de algo que até então nem havia se dado conta. Pouco depois de Sofia sair da sua casa, no dia anterior, ligara sua antiga amiga Aurora, que se fora viver com o pai em uma cidade grande quando tinha apenas dez anos, após a morte de sua mãe. Ela, que não gostara nem um pouco da cidade grande, resolvera voltar para sua cidade natal e ir viver com sua avó materna. Então, decidira ligar para Marli, sua amiga de infância para ver se as duas poderiam se encontrar e a garota, distraída com sua tristeza, dissera que sim.

Agradeceu ao ser superior que a fizera dizer sim. Era disso que precisava para esquecer Sofia, conhecer pessoas novas, ou, nesse caso, reencontrar.

Enquanto a água quente escorria pelo seu corpo bem definido, Marli tentou se lembrar da aparência da amiga, mas não conseguiu. Morena de cabelos curtos, olhos castanhos, pele clara… mas nada disso significava muita coisa para a garota, não conseguia lembrar-se da forma do rosto dela, de seu sorriso… achou melhor, então, simplesmente conferir.

Saiu do banho enrolada em uma toalha branca e a primeira coisa que olhou foi seu relógio, sequer percebeu que ao lado dele estava do porta-retrato onde havia sua foto com Sofia. Faltavam quinze minutos para as oito horas.

“Em 15 minutos, ela estará aqui.”

Trocou-se e foi tomar seu café da manhã. “De vez em quanto eu pensarei na Sofia, mas sei que, um dia, voltarei a amar.”

Era uma maravilhosa manhã, o sol já havia nascido e iluminava toda aquela pequena cidade das montanhas. Então, a campainha tocou.
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Yessi Sei
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MensagemAssunto: Re: De Vez Em Quanto (One-shot original)   Dom 17 Ago - 13:39

karaiuuu

historia nostalgica essa sua! uma palavra : tocante.

impossivel ler sua historia e ficar indiferente... afinal quem nunca teve um passado familiar cm esse? fantasmas,sonhos despedaçados...
quem nunca teve um dia tera...

pow, melhor narração q essa só duas dessas...

estou aqui esperançosa pra ver o coraçao d marli se curar...

apaga o one-shot do topico e posta mais... vai...diz q sim...vai...
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A. Lefay
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MensagemAssunto: Re: De Vez Em Quanto (One-shot original)   Seg 18 Ago - 14:46

infelizmente... é uma one-shot...

não tenho como continuar a história sem destruí-la completamente... meu objetivo com ela é esse mesmo, deixar meio em aberto se a Marli vai ou não conseguir esquecer a Sofia...

além do mais, fiz essa one-shot para deixar em prosa o que diz a música... e a música não fala nada se a pessoa vai ou não esquecer o(a) amado(a)... então não tem porque eu colocar isso na história...

de qualquer forma, fico feliz que tenha gostado e se identificado ^^
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MensagemAssunto: Re: De Vez Em Quanto (One-shot original)   

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De Vez Em Quanto (One-shot original)
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